Romi-Isetta no Brasil

r2Linha de montagem da Romi-Isetta em Santa Barbara D’oeste no interior de São Paulo

      Hoje, um dos grandes atrativos na hora de se comprar um carro é o número de portas que ele tem. A regra é simples: quanto mais, melhor. Mas nos anos 1950, a indústria brasileira fabricou um veículo cuja principal característica era justamente o fato de ter uma única porta – que ficava na frente. A Romi-Isetta, baseada no desenho de um carro italiano e fabricada entre 1956 e 1961 pelas Indústrias Romi S.A, foi o primeiro automóvel a ser produzido no Brasil.

      O dia 5 de setembro de 2006 marca os 50 anos do lançamento da Romi-Isetta e, para celebrar a data, a Fundação Romi – que ainda existe e fabrica maquinaria pesada – preparou uma exposição com quatro carros originais, pôsteres, fotos e um encontro nacional de Romi-Isettas na cidade de Santa Bárbara d’Oeste, em São Paulo, onde fica sua sede.

     A Romi-Isetta foi o único carro produzido pelas Indústrias Romi. A empreitada, no entanto, não foi muito bem-sucedida. Na época, Juscelino Kubitschek acabava de ser eleito presidente, com o plano de transferência da capital federal para Brasília e com o projeto de abertura de estradas por todo o Brasil. Isto representava, certamente, um incentivo à indústria automobilística – mas de carros de médio ou grande porte. Não para um veículo com menos da metade do tamanho de um Fusca, com uma única porta e onde cabiam apenas duas pessoas. Na Itália, onde o carro foi inventado pelas Industrias Iso e batizado de Isetta, ele se enquadrava perfeitamente na geografia das pequenas cidades e no baixo poder aquisitivo das pessoas após a Segunda Guerra Mundial. No Brasil, com território vasto e cidades grandes, ele acabava engolido pelos outros carros.

      Como se não bastassem os problemas com a extensa geografia brasileira, a Romi-Isetta sofreu contratempos políticos. Em 1959, o Grupo Executivo da Indústria Automobilística começou a fazer pressão para que o carro parasse de ser fabricado. Alegava que suas peculiaridades, como a porta frontal, o banco único, o motor fraco e as rodas pequenas o tornavam incompatíveis com o restante da indústria. E em 1961, com apenas três mil exemplares, o carro parou de ser produzido. Hoje, entre os milhares – ou, quem sabe, milhões – de carros de duas ou quatro portas que passeiam portentosos pelas avenidas brasileiras, estima-se que haja somente 300 Romi-Isetta ainda inteiras. O carro de uma porta só resiste, mas nas mãos de colecionadores.