Assim começou…

      A década de cinquenta; anos estes que fizeram do american way of life um modo de vida global onde nós capitalistas sonhávamos com bens de consumo e duráveis, em morar em uma daquelas casas com cerquinhas brancas e ter um belo Ford na garagem. Aos domingos o famoso picnic em família, toalhas xadrez, coca-cola para as crianças e um bom churrasco com hambúrguer. Esse era o sonho de muitos e a realidade de outros.

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      No esplendor da indústria automobilística americana nasciam os glamorosos full-size, Ford, Chevrolet e Chrysler povoavam as boulevard’s norte americanas cercados por lojas de departamento e os recém inaugurados shoppings center.

      Enquanto surgia todo esse movimento norte-americano, os jovens se reuniam em volta dos antigos Ford da década de 30 para criar algo realmente empolgante; o hot rod.

     A tendência de modificar os antigos ‘fordinhos’ nasceu nas areias californianas em meados de 1930. Afim de colocar um pouco mais de adrenalina no pacato motor quatro cilindros com válvulas laterais rendia cerca de 40 cavalos de potência à 2.300 rpm, velocidade final realmente não era seu forte e no seu projeto original essa não era prioridade.

      Cansados de guiar os monótonos Ford T e A a meninada resolveu modificar esses carros e ver até onde essa personalização poderia chegar, além das modificações mecânicas a pratica de modificação consistia em diminuição de peso para alcançar a maior velocidade possível, começaram a retirar todas as partes menos importantes e as que resistissem ao vento.

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     A onda pegou e logo menos vários grupos estavam correndo nos lagos secos da Califórnia, a princípio as provas consistiam em arrancadas conhecidas como ‘drag race’. Cinco carros se reuniam, o que saísse na frente já teria a corrida garantida pelos cinco quilômetros restantes da prova e o resto comeria poeira.

       Em 1932 a Ford introduzia no mercado duas versões de um mesmo carro, o Ford Model B e o 18, a sua maior inovação desde o percursor da popularização do automóvel, o T.

       Sua maior e mais conhecida inovação estava de baixo do capô, o motor V8. A Ford vinha trabalhando nesse tipo de motorização desde a compra da Lincoln em 1922, a marca de luxo utilizava esse tipo de motorização há quase dez anos e tinha bastante experiência em produzi-lo.

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      A partir da expertise da Lincoln, os engenheiros da Ford começaram a trabalhar em um motor menor do que os utilizados nos gigantescos automóveis de luxo da marca para equipar um de seus modelos populares.

      Para compactar esse motor, o V-8 de Henry Ford tinha um bloco e cabeçote em corpo único e válvulas laterais montadas dentro de V entre os seis oito cilindros, uma inovação para a época, pois esse tipo de motorização tinha um custo absurdo para serem produzidos e a partir dessa solução encontrada pela Ford, tornou-se possível a popularização do V-8.

      As inovações não paravam por ai, com um cabeçote com câmeras de combustão revisado e aprimorado e um novo comando de válvulas que permitia um tempo maior de abertura fazendo com que a potência bruta aumentasse de 40 cavalos para 50 a 2.800 rpm.

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