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Por muito tempo, o Brasil foi uma espécie de descarte de diversos carros e componentes, que falharam ou não tiveram sucesso em vários mercados espalhados pelo mundo. Muitas montadoras despejaram por aqui, componentes, peças e automóveis encalhados ou rejeitados, mesmo assim muitos modelos fracassaram aqui também.

Podemos citar alguns exemplos recentes que não emplacaram por aqui, como: A marca Geely e a Lada, modelos que foram um fracasso em vendas por terem concorrentes mais fortes ou apresentarem problemas mecânicos.
Vamos conhecer algumas marcas e modelos que não tiveram sucesso no Brasil

Geely: teve um primeiro período de operações no Brasil entre final de 2013 e o início de 2016, marcado por uma presença curta e discreta com os modelos GC2 e EC7.

Lada: A montadora russa chegou ao Brasil com o Niva, o Laika e o Samara. No entanto, os veículos não foram “tropicalizados” para o mercado local, o que resultou em problemas de motor; a marca saiu do país em 1995.

Morris Garage (MG): A Morris Garage (MG) operou no Brasil entre 2011 e 2013 sem sucesso, sendo administrada por uma importadora comercializando modelos como o MG6 e MG 550. A marca está de volta ao Brasil sob o comando da gigante chinesa SAIC e planos para uma fábrica própria.
Modelos específicos que fracassaram
Hyundai Elantra: O modelo nunca atingiu números expressivos de vendas e é considerado um dos modelos rejeitados pela marca, relata o site AutoPapo.

Fiat Marea: A mecânica complexa do Marea se tornou um pesadelo para os proprietários, além do preço elevado de peças de reposição. A fama de “carro-problema”, combinada com o lançamento de novos sedãs no mercado, selou seu destino e o transformou em um carro rejeitado, conforme o site Gazeta do Povo.

Chery S-18: Mais um fracasso de vendas no Brasil, segundo a Autoesporte.

Lifan 530: Alguém conhece? já viu algum?

Nissan Tiida Sedan: Um modelo confuso que não decolou, uma versão do Nissan com emblemas da Dodge. Importado do México foi comercializado por aqui de 2010 a 2013. Viram algum por aí?

Não somente modelos de outros países foram rejeitados no Brasil, também carros desenvolvidos aqui não tiveram êxito em outros mercados. Podemos citar o Ford EcoSport que teve uma breve passagem pelos Estados Unidos. Fiat Palio, sucesso de vendas no Brasil, mas foi só no Brasil e um pouco na Europa. Volkswagen Fox: criado especialmente para o mercado brasileiro onde fez grande sucesso entre 2003 e 2021, com participação em alguns países da América Latina apenas até 2011.

Tecnologias que não deram certo
Com o objetivo de oferecer mais tecnologia aos nossos carros, muitas inovações foram apresentadas com promessa de revolucionar o mercado automotivo. No início muitas delas foram bem recebidas pelos consumidores, o que logo virou dor de cabeça e rejeição pelo mercado, inclusive a dificuldade de venda no mercado de usados. Vamos citar algumas dessas tecnologias:

Começamos pelo sistema de câmbio manual sem embreagem equipando no Fiat Palio Citymatic e o Chevrolet Corsa Autoclutch, simplificando a troca de marchas sem pedal de embreagem. A troca de marchas era manual e a embreagem acionada por sensores. A dificuldade em conciliar a troca de marchas com o sensor, o alto custo de manutenção e a falta de mecânicos treinados para fazer a manutenção remeteram estes modelos ao esquecimento.

Em 2006, a Fiat apresentou o Fiat Siena TetraFuel, com a proposta de funcionar com quatro tipos de combustíveis: GNV, etanol, gasolina pura e gasolina com etanol; uma central eletrônica fazia a leitura automática dos combustíveis, o carro ajustava a melhor opção para o momento, priorizando o GNV pela economia. Em 2007 eram produzidas cerca de 700 unidades mensais.

O Supercharger da Ford foi mais uma tentativa frustrada; trata-se de um compressor mecânico preparado para aumentar a entrada de oxigênio nos cilindros queimando mais combustível e gerando mais potência, usados no Fiesta 1.0 Supercharger e EcoSport.

Nos anos 1990 a Chevrolet introduziu no Chevette e no Kadett o alarme magnético; bastava passar uma chave magnética pela lateral do carro para ativar ou desativar o sistema de segurança. Mas, ladrões descobriram que qualquer ímã simples podia desativar o alarme, tornando os veículos vulneráveis.

Vejam mais alguns modelos que foram um fiasco e comprometeram a imagem dos carros e da marca por causa do câmbio: VW i-Motion (Gol, Fox), Fiat Dualogic/GSR (Palio, Punto, Mobi), Chevrolet Easytronic (Agile, Meriva), Ford PowerShift (Fiesta, EcoSport) e o câmbio AL4 da Peugeot e Citroën, trazia problemas como trancos, falta de “grip”, falta de manutenção e durabilidade inferior ao esperado.

Uma coisa me intriga, para colocar em circulação um novo carro ou um novo componente, uma equipe de engenheiros especializados dedicam um tempo incalculável no projeto e execução além dos testes exaustivos tanto nas fábricas quanto nas pistas, para aprovação do novo produto; será que não concluíram que o modelo não daria certo ou apresentaria algum problema?

Matéria de Marcus Vinicius

Revisão de Jaderson Gomes
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12/09/2025

As tentativas frustradas recentes de substituir o câmbio automático convencional por um câmbio mecânico automatizado não foram as únicas. Nos anos 60 a Vemag chegou a oferecer um sistema de embreagem automática chamado Saxomat. Também não deu em nada, e hoje os DKWs equipados com o sistema são raríssimos.