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Durante muitos anos os brasileiros sonharam em ter um carro esportivo, com as importações fechadas, várias indústrias nacionais dos fora-de-série usaram de sua criatividade e desenvolveram modelos incríveis, na maioria inspirados em modelos esportivos produzidos pelo mundo. Muitos eram montados em pequenos barracões, todos empenhados em produzir um modelo diferenciado e que caísse no gosto do brasileiro, mesmo não tendo quase nenhuma tecnologia e com motores de baixa cilindrada.
Hoje vamos falar do Adamo

O Adamo foi um automóvel esportivo produzido no Brasil inspirado na Ferrari; desenvolvido por Milton Adamo juntamente com a indústria de móveis pertencente à sua família. O primeiro carro montado foi um pequeno esportivo chamado GT, apresentado no stand da Petrobras no VI Salão do Automóvel de 1968. Era um protótipo de linhas curvas para dois ocupantes com mecânica Volkswagen 1300cc.

Em 1970 Milton Adamo apresentou o modelo GT no VII Salão do Automóvel destinado a produção em massa, com características mais aerodinâmicas e faróis retráteis. Projetado para transportar quatro pessoas. O carro não teve alteração por alguns anos, sendo um carro aberto sem portas, bem parecido com um Buggy.

No Salão de 1974 foi lançado o GT2. A novidade, além do novo desenho, foi o motor 1500cc da Volks. As linhas da carroceria o credenciavam como concorrente do Puma e do SP2. Lançado em duas versões, Grand Touring e Targa, com dois assentos, quatro faróis redondos embutidos na dianteira, lanternas traseiras do Ford Corcel e freios dianteiros a disco.

O XI Salão em 1978, mostrou mais uma criação, o Adamo GTL, montado sobre a plataforma do VW Brasília, com faróis retangulares escamoteáveis, remetendo a Ferrari 308 GT, e na traseira o conjunto ótico do Alfa Romeo 2600.

O CRX1.8 foi apresentado em 1984 no XIII Salão do Automóvel com o nome Búzios, montado com motor 1.8 de quatro cilindros em linha refrigerado a água do Gol GT, e tração dianteira. Em termos mecânicos o CRX foi um salto na marca. Na carroceria a mudança foi menos notável, disponível em duas versões: fechado ou com teto parcialmente removível.

A Adamo manteve sua produção sob encomenda em pequenas quantidades até 1990, quando o então presidente da república Fernando Collor de Mello promoveu a abertura das importações trazendo a concorrência dos carros estrangeiros que em poucos meses acabou com todo um segmento industrial brasileiro. Pequenos fabricantes faliram, atingindo também a Adamo. Sem números exatos a Adamo estima ter produzido 1.700 unidades no mercado de automóveis esportivos, sendo cerca de 600 do modelo CRX.
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Matéria de Marcus Vinicius

Revisão de Jaderson Gomes
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13/01/2026
