O Howmet TX (Turbine eXperimental) revolucionou as pistas de corrida nos Estados Unidos. Produzido como protótipo esportivo, foi projetado em 1968 para testar o uso competitivo da turbina a gás herdada de um helicóptero. Idealizado pelo piloto Ray Heppenstall, com a ajuda de Tom Fleming, vice-presidente da Howmet Corporation, empresa especializada em ligas metálicas utilizadas por companhias aeroespaciais. Eles convidaram a Howmet a participar diretamente da execução do projeto a troco de publicidade, caso o carro fosse bem-sucedido nas provas.

Após o sim da Howmet, foram cedidas duas turbinas, também conhecidas como turbojatos, construídas para um helicóptero experimental da Força Aérea norte-americana, mas o projeto foi abortado. O primeiro equipamento foi utilizado no chassi adaptado do McKee Mk9, enquanto o segundo foi colocado em um carro construído do zero para utilizar o motor turbojato, com entre-eixos mais longo, pesando 77 kg cada, entregando 350 cv e 89,7 mkgf de torque. A rotação máxima era de 57.000 rpm.

Em vez de um câmbio tradicional, o motor era ligado à roda traseira por uma única engrenagem de redução, e por isso o Howmet TX não tinha marcha à ré. Como a FIA exigia que os carros fossem capazes de andar para trás, foi instalado um motor elétrico em cada uma das unidades para realizar esta função.

O turbojato não podia ter seu deslocamento medido como um motor de combustão interna; a FIA utilizou uma fórmula de equivalência para colocar o Howmet TX na categoria “até três litros” do Grupo 6, definindo seu deslocamento como equivalente a 2.960 cm³, podendo assim participar das competições.

Embora não tenha sido a primeira tentativa de utilizar um motor a turbina no automobilismo, o Howmet TX foi o primeiro, e permanece sendo o único, carro a turbina a vencer uma corrida, conquistando duas vitórias em provas do Sports Car Club of America (SCCA) e duas vitórias em corridas classificatórias do tipo *sprint* durante seu único ano de competição. Após ser aposentado das pistas, o TX estabeleceu seis recordes mundiais de velocidade terrestre para veículos a turbina, homologados pela Fédération Internationale de l’Automobile (FIA).

O maior problema dos motores a turbina na pista sempre foi o tempo de resposta demorado ao pisar no acelerador (throttle lag). Para contornar isso, os projetistas integraram um sistema de duas válvulas de alívio (wastegates) conectadas ao pedal. Quando o piloto freava, as válvulas se abriam, desviando os gases, mas a turbina continuava girando em rotação máxima. Ao retomar a aceleração, as válvulas fechavam imediatamente, entregando potência instantânea sem atrasos. Essa característica gerou um layout traseiro icônico com três escapamentos (dois da turbina e um da wastegate).

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Matéria de Marcus Vinicius
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